Um conserto no escritório, um desejo no ar
Existem momentos que nascem do acaso e se transformam em lembranças ardentes — não por serem planejados, mas por nos pegarem de surpresa, em um cruzamento entre o cotidiano e o desejo. Foi em uma manhã comum de sábado, com o pretexto de consertar um ar-condicionado no escritório, que algo extraordinário aconteceu. Um jogo silencioso, uma tensão exposta entre venezianas entreabertas e vontades à flor da pele, despertou muito mais do que o sistema de refrigeração.
A manhã parecia inofensiva. Ele e a esposa foram juntos ao escritório, ela interessada apenas em imprimir receitas, ele em supervisionar o trabalho de um técnico. Ela usava um vestido leve, de tecido solto, que deslizava suavemente sobre o corpo. Ao vê-la sentada, descontraída, ele notou que não havia sutiã sob o vestido — e foi nesse detalhe sutil que tudo começou a mudar.
A visão daqueles seios delineados pelo tecido leve e o conforto de estarem a sós despertaram algo intenso nele. A mente se encheu de imagens, de possibilidades, de vontades. Aproximou-se devagar, tocando-lhe o pescoço, depois os ombros, até alcançar os seios com um cuidado que misturava carinho e provocação. Ela sorriu, um riso travesso, mas hesitante.
— E se ele estiver vendo? — murmurou, referindo-se ao técnico.
Mas havia algo em seu olhar — um brilho excitado, talvez — que deixava claro que aquela possibilidade não a assustava. Ao contrário, a instigava.
Ele a virou de costas, inclinando-a suavemente sobre a mesa. O vestido subiu com facilidade, revelando curvas que ele conhecia bem, mas que, ali, naquele contexto, pareciam ainda mais convidativas. Pela fresta da janela, percebeu o olhar discreto do técnico, posicionado estrategicamente do lado de fora. Ao notar, sussurrou no ouvido dela:
— Ele está olhando… quer que eu pare?
Ela apenas respirou fundo, e negou com a cabeça, os olhos semi cerrados pelo desejo. O jogo havia começado.
Com gestos calculados, desceu as alças do vestido, revelando a lingerie branca rendada, que contrastava com sua pele morena. Ela se entregava sem resistência, saboreando cada toque, cada provocação. O clima entre os dois crescia como a luz que entra aos poucos pelas janelas — primeiro suave, depois intensa.
Enquanto acariciava o corpo dela com os dedos e os lábios, ainda mantinha os olhos atentos ao que acontecia do lado de fora. O técnico agora já não escondia tanto o interesse: estava ali, exposto, hipnotizado por aquilo que assistia. Ela, por sua vez, sabia que era observada — e isso parecia incendiar ainda mais o seu desejo.
Deixou-se conduzir, sem vergonha, com prazer. Os gestos tornaram-se mais intensos, mais úmidos, mais famintos. Ele a deitou na mesa, a boca dele explorando seus pontos sensíveis com precisão. Ela gemia baixinho, a respiração entrecortada, os quadris se movendo em resposta. Os olhares ainda voltados para a janela, como se o mundo lá fora participasse daquele momento.
Quando finalmente os corpos se uniram, foi com força e entrega. Os movimentos eram cadenciados, ora suaves, ora vigorosos, embalados pelo calor do desejo e pela adrenalina de serem vistos. A cada estocada, os olhos dela buscavam o técnico — que agora parecia completamente absorvido, incapaz de se conter.
O clímax veio como uma onda: inevitável, intensa, arrebatadora. Ela arqueou o corpo, os dedos apertando a madeira da mesa, a boca entreaberta em um gemido abafado de prazer. Ele a segurou com firmeza, sussurrando palavras quentes e doces, como quem conduz e conforta ao mesmo tempo.
Quando tudo se acalmou, o silêncio foi preenchido por sorrisos cúmplices e respirações ainda descompassadas. Vestiram-se com pressa, rindo da situação, ainda sob o efeito do que haviam acabado de viver.
Minutos depois, o técnico bateu à porta, envergonhado e com o rosto corado. Disse que o serviço estava concluído — e que, se precisassem de algo mais, poderia retornar com desconto.
Nem sempre o prazer precisa de cenário ou planos. Às vezes, basta uma brecha — uma janela entreaberta, um vestido leve, um olhar cúmplice. E quando o desejo se insinua entre o comum e o inesperado, o que resta são memórias vivas, intensas, daquelas que visitam a mente em silêncio... como se ainda houvesse alguém observando do lado de fora.




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